A sua empresa deve contratar um(a) Doutor(a) hoje mesmo – Parte I

Publicado por erivaldocarneiro em

Um ano atrás, uma pesquisa feita pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), um órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações divulgou que, àquela época, o percentual de doutores (em média) que estavam desempregados no País, era de 25%. Quando se observa a mesma taxa em outros países, o número vem para 2%. Parece uma diferença muito grande, não parece? E é. Garanto a vocês!

Para refrescar sua memória, caro leitor, aqui está a matéria que apresentou a estatística. Parece que não mudou muita coisa de lá pra cá. Digo isso porque eu tenho amigos e amigas, que mesmo com doutorado, estão vendendo brigadeiro, fazendo freela ou vendendo sua arte na praia. Não tá fácil para ninguém!

A real é que em meio a toda essa onda de desemprego e falta de perspectivas entre os doutores e doutoras, me considero um privilegiado e eu explico o motivo de me sentir assim. Eu sou doutor e estou empregado.

Dito isso, aqui vou eu, tentar te convencer a contratar um doutor ou uma doutora para o teu time. Eu quero, com esse artigo, mostrar o quanto os anos que eu dediquei ao doutorado são úteis para a empresa que eu trabalho. E para você, caro empresário, CEO, Gerente de RH ou mesmo você quem tem poder de contratar na empresa que você trabalha, eu listo e justifico motivos pelos quais VOCÊ DEVERIA CONTRATAR UM(A) DOUTORA IMEDIATAMENTE.

Sabem fazer perguntas inteligentes

Quando me perguntam qual foi meu maior aprendizado no doutorado, digo logo que foi aprender fazer perguntas mais inteligentes. E isso de fato é verdade. Fui percebendo a minha evolução ao longo dos 4 anos no quesito perguntas. Na medida que passava o tempo, eu ia melhorando meu raciocínio e por tabela, a formulação de perguntas que eu fazia a mim mesmo, para colegas e até mesmo para meu orientador (coitado teve que me aguentar por quase seis anos).

Por isso, é impossível não lembrar da célebre frase de Voltaire:

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A pessoa que virou doutor(a), teve que aprender, na marra, a fazer perguntas e evoluir nos seus questionamentos para que sua tese ficasse de pé. Pode parecer óbvio, mas fazer boas perguntas é fruto de muito treino e prática.

Sabem onde pesquisar

Depois de passar quatro anos escrevendo uma tese, se tem uma coisa que um(a) doutor(a) sabe fazer é pesquisar. Quando eu falo pesquisa, eu não digo simplesmente ir no Google, digitar o assunto no buscador e pronto, num passe de mágica, aquela busca resolverá todas dores do mundo. O que eu falo é que um(a) doutor(a) ao longo dos anos, aprendeu a fazer buscas qualificadas, para que sua tese fosse construída (SIM, uma TESE é uma CONSTRUÇÃO).

Quem fez uma tese, aprendeu onde “dormem as cobras” do saber.

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Os anos de experiência aumentaram a nossa perspicácia e sapiência na arte da curadoria do conhecimento. Nós aprendemos a escolher qual conhecimento é importante, a saber quando o conhecimento está solidificado e por fim, se aquele conhecimento está na fronteira (se ele vai decolar em breve ou não). O(A) doutor(a) aprende a encontrar onde estão as melhores fontes, mesmo que não seja de sua área de atuação.

No fim do dia, nós doutores, somos curadores do conhecimento. Aprendemos a fazer boas escolhas. Se não a fizermos, corremos o risco de sermos criticados no dia da defesa, justamente pelas nossas escolhas.

O principal ganho que a empresa tem nesse aspecto é que ela sempre poderá estar bem fundamentada em suas decisões. E o melhor, com base em conhecimentos científicos.

Conhecem sobre método

Talvez esta seja uma das maiores qualidades que um(a) doutor(a) pode dar para uma empresa. Conhecer sobre método. Quando eu falo método é no sentido de método mesmo. Isso aí que você está pensando. Até mesmo sem ter feito um doutorado, você sabe o que é método. No caso do(a) doutor(a), ele sabe o que é e como segui-lo.

O fato é que durante o doutorado aprendemos que o rigor científico deve ser nossa meta de vida. Além disso, somos bombardeados por todos os lados com expressões tais como estudo qualitativo, quantitativo, quanti-quali. Aprendemos técnicas de análise de dados. Regressão, análise fatorial, ANOVA, Análise de Cluster, Redes Neurais e outros nomes, que mais parecem xingamentos, fazem parte do cotidiano de um doutor. Mesmo que um(a) doutor(a) seja um expert em estudos qualitativos, ele saberá qual método e técnica deverá ser empregada para resolução de um problema.

Ao aprender sobre essas técnicas, um(a) doutor(a) está apto(a) a indicar quais caminhos ou escolhas a organização deve seguir.

Sabem trabalhar em equipe

Umas das coisas que eu aprendi durante o doutorado e eu comprovei na reta final, quando eu fiz a coleta de dados, é que sem colaboração a pesquisa não anda. Olhem só, caros(as), essa TAL COLABORAÇÃO, TÃO SONHADA PELOS LÍDERES, que ela ocorra entre os times, É UMA COMPETÊNCIA QUE OS(AS) DOUTORES(AS) POSSUEM, já vem de fábrica. Eu digo isso, sem medo de ser feliz. Atualmente estou trabalhando com pelo menos quatro times diferentes. Os colegas enxergam em mim alguém, que além de agregar conhecimento, um humano que valoriza a colaboração.

Cumprem prazos

Por fim, e não menos importante, os doutores cumprem os prazos acordados. Eles cumprem não porque são bonzinhos. Eles aprendem desde o começo do curso, que DEAD LINE é algo para ser levado muito à sério. O não cumprimento de um prazo por um doutorando, pode significar o fim de sua carreira, que ainda nem começou. Portanto, se um doutor chegou até você, pode ter certeza que ele sobreviveu a um monte de prazos. Nos dias de hoje, em que tudo precisa ser cumprido no prazo, mais do que nunca, parece que essa competência também é um diferencial. Que bom, não é? Ele pode fazer parte do seu time e ainda cumpre prazos.

Eu ainda tenho mais coisa para falar sobre isso e no meu próximo artigo, irei continuar essa saga de tentar convencer os recrutadores que ter doutores nas empresas é bom.

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Sobre o autor:

Sou aspirante a escritor, baiano de Riachão do Jacuípe, Mestre e Doutor em Administração, amo comer acarajé, sei fazer moqueca e chamo minha mãe de Mainha. Ah, também curto demais orientar trabalhos científicos ou que de alguma forma tenha relação com a academia.

Pensando em ajudar quem está pensando começar a carreira acadêmica ou já está nela e quer discutir sobre o assunto, eu criei um Canal no Telegram sobre Mentoria Acadêmica, no qual eu vou começar a dar dicas sobre o assunto.

Vocês também podem me achar no Instagram e Linkedin.

E caso queiram ler a minha tese, basta clicar aqui!


erivaldocarneiro

Oi, eu sou Erivaldo Carneiro. Se quiser, me chamar de Eri, tá tudo certo. Sou um aspirante a escritor e em breve você poderá me ler em qualquer banca de rua entre carregadores de celular, revistas vencidas e cigarros baratos. Gosto de falar sobre tudo, mas a minha paixão é pela Metodologia Científica. Ela já salvou minha vida. Pode salvar a sua. Também.

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