A sua empresa deve contratar um(a) Doutor(a) hoje mesmo – Parte II

Publicado por erivaldocarneiro em

Conforme prometido, aqui está a segunda parte das razões pelas quais você deve contratar um doutor ou uma doutora para sua empresa.

Trabalham sob pressão

Se tem uma coisa que a academia e as empresas se parecem muito é no quesito pressão (embora aqui no Brasil elas não queiram se parecer, porque elas não se entendem). A necessidade cumprir os prazos apertados faz com que os(as) doutorandos(as) estejam ligados(as) o tempo inteiro. E claro que ao falarmos de tempo, automaticamente a pressão vem junto. Nesse cenário, o(a) doutor(a) precisou aprender a se virar para deixar todos os pratinhos chineses rodando ao mesmo tempo.

Tem que entregar relatórios a cada semestre pois muitos(as) recebem bolsa de financiamento; o prazo dado pelo(a) orientador(a) para ajustar as correções do artigo é de apenas um dia para a submissão final (HELP ME GOD!); nesse meio tempo, o orientador encaminhou dois artigos para que o doutorando(a) dê um parecer técnico (esse parecer devia ter sido feito, pelo orientador, no dia anterior) que deve ser mandado até o fim do dia para a Sociedade Brasileira de XPTO.

O desespero deveria ser a primeira reação. E é, no começo. Depois da situação descrita acontecer muito frequentemente, a gente se acostuma com a pressão que nos é colocada por conta dos prazos apertados.

Veja você, caro leitor, gestor ou não, as situações descritas parecem demais com o nosso dia a dia. Tudo tem que ser entregue ontem. Os prazos propostos para as demandas estão sempre apertados. Eu poderia escrever mais exemplos sobre conviver com a pressão mas vou preferir dizer que:

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Mesmo com toda essa pressão a qualidade das entregas estão sempre em primeiro plano.

Um doutor, quando chega no mercado de trabalho já está calejado de tanto prazo curto que ele teve cumprir, de tantas atividades que precisaram ser desenvolvidas simultaneamente, de tanto feedback que ele precisava ser mais rápido nas atividades, que o que aparecer para ele ou ela entregar vai parecer fichinha.

São resilientes e flexíveis ao extremo

Ao falamos da pressão a qual os(as) doutores(as) estão acostumadas(os) a conviver, a resiliência flexibilidade são brindes para as empresas que possuem estes profissionais em seus quadros. Os(as) doutores(as) passaram e continuam passando por avaliações de sua produção científica constantemente.

Diferente daqui do LinkedIn, onde todo mundo pode expor suas ideias, sem ter muito filtro ou mesmo sem ter sido conferida se ela de fato tem base acadêmica, a publicação de um artigo em top journal exige muita resiliência por parte do(a) autor(a). O artigo pode ser rejeitado de cara pelo editor da revista. Passada a fase do aceite do editor, começam as rodadas de avaliação.

Isso ocorre porque na academia, quem nos alimenta (o ego e o currículo) são as publicações em revistas científicas. Os artigos, fruto da pesquisa, após todo trabalho de se escrever, ainda será avaliado por pelo menos dois especialistas da área. É o famoso doble blind review ou avalição às cegas tão comum no meio acadêmico.

Foto na qual uma mulher está com os olhos vendados por outra pessoa atrás delas

Eu já vi um amigo responder 15 vezes solicitações de avaliadores. Tudo isso foi em dois anos e todas as vezes alterações foram solicitadas. Os(as) doutores(as) levam mais não do que sim. A taxa de rejeição dos artigos submetidos a um bom journal é altíssima.

De cara a gente pensa em desistir mas a gente aprendeu que esse processo faz parte da nossa rotina de doutor(a). No caso dos(as) doutoras eu não sei ao certo se a resiliência e flexibilidade podem ser consideradas competências. O fato é que ela precisou ser desenvolvida ao longo da jornada. E tudo que um(a) líder quer de seu liderado, é que ele não desista, que vá até o fim nas situações que devem ser levadas até o fim. Os(as) doutores(as) aprenderam que junto com o não desistir é preciso ser flexível.

Tem pensamento crítico

Essa competência tem sido constantemente solicitada pelos recrutadores e parece que anda em falta no mercado. Pois, contrate um(a) doutor(a) e você terá em sua equipe alguém que sabe questionar as questões, como disse uma leitora na Parte I desse texto. Essa competência não veio de graça para os(as) doutores(as). Ela é fruto do volume de leitura para que ele ou e ela fosse chamado(a) de doutor(a). Além disso, as discussões acontecidas em seminários, aulas, congressos, simpósios e outros fóruns faz com que a gente desenvolva a capacidade de conectar coisas inconectáveis.

Um(a) doutor(a) é alguém que precisa pensar criticamente. É necessidade, uma competência primordial para que o conhecimento seja construído.

O espaço acadêmico é uma arena de discussões e assim como aqui fora, quem sou souber argumentar melhor leva mais estrelinhas. Parece bobagem, mas somos reconhecidos quando temos a capacidade de refletir criticamente sobre um assunto. Somos treinados para isso. Me lembro de um semestre, eu ter feito pelo menos unas 20 resenhas.

Avaliar, criticamente, as produções de nossos(as) pares é uma rotina. O conhecimento cresce na crítica. E nós também.

Não tem medo de falar em público

O contato com gente é fichinha para um(a) doutor(a). Ao longo do tempo em que esteve na academia, pelo menos uma vez por semana, teve um seminário pra apresentar, precisou reportar o andamento da pesquisa para o grupo, apresentou pelo menos um trabalho por ano em congresso. Poderia listar aqui as diversas atividades que um doutor precisou exercitar sua habilidade de falar em público.

Me lembro da primeira apresentação que eu fiz em inglês. Até hoje, aquele frio na espinha está em mim. Depois da primeira tudo fica mais fácil.

O que quero dizer é que um doutor já chega pronto para se apresentar em público. Ele perdeu o medo das plateia e falar para expor seus pontos de vista é algo que aprendemos ao longo do tempo.

Sabem trabalhar na escassez

Se tem uma coisa que eu aprendi ao longo do doutorado, foi trabalhar na escassez. Quando eu falo isso, eu não estou brincando. A primeira batalha para mim, foi ter que gerenciar o tempo pois boa parte do doutorado eu trabalhei e estudei. Eu precisava manter a performance no trabalho, entregar as metas e ainda entregar todas as resenhas, trabalhos, artigos nos prazos. Eu tinha que ser Highlander.

No meu caso, como o doutorado foi em Adminstração minha única escassez, via de regra era o tempo, que eu precisava dividir com o trabalho e vida pessoal. Mas a realidade por aí fora é que os(as) doutores(as) de outras áreas, principalmente as que dependem de laboratórios, nem sempre tem todo material que precisa e quando tem, precisam racionalizar os recursos disponíveis não são suficientes. Ou seja,

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Um(a) doutor(a) é alguém que aprendeu a fazer milagre, que sabe a tirar leite de pedra, que sabe trocar a roda do avião com ele voando.

E o melhor é que ele tem um sorriso no rosto ao fim da jornada. Ele sabe que tudo vai dar certo no final.

Bem, pessoal, espero que vocês tenham gostado da Parte II do texto.

Caso algum doutor ou doutora aqui do Linkedin tenha gostado do texto e queira engrossar o caldo, compartilha, joga esse apelo para o mundo. Vamos tentar criar mais oportunidades para nossos(as) colegas doutores(as) que estão na luta por emprego!

Caso você não seja doutor ou doutora e queira compartilhar o texto, fica à vontade, também.

Sobre o autor:

Sou aspirante a escritor, baiano de Riachão do Jacuípe, Mestre e Doutor em Administração, amo comer acarajé, sei fazer moqueca e chamo minha mãe de Mainha. Ah, também curto demais orientar trabalhos científicos ou que de alguma forma tenha relação com a academia.

Pensando em ajudar quem está começando a carreira acadêmica ou já está nela e quer discutir sobre o assunto, eu criei um Canal no Telegram sobre Mentoria Acadêmica, no qual eu vou começar a dar dicas sobre o assunto.

Vocês também podem me achar no Instagram e Linkedin.

E caso queiram ler a minha tese, basta clicar aqui!

Processando…
Sucesso! Você está na lista.

erivaldocarneiro

Oi, eu sou Erivaldo Carneiro. Se quiser, me chamar de Eri, tá tudo certo. Sou um aspirante a escritor e em breve você poderá me ler em qualquer banca de rua entre carregadores de celular, revistas vencidas e cigarros baratos. Gosto de falar sobre tudo, mas a minha paixão é pela Metodologia Científica. Ela já salvou minha vida. Pode salvar a sua. Também.

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