3 razões (não óbvias) para assistir “A Vida e a História de Madame C.J. Walker”

Publicado por erivaldocarneiro em

Recentemente a Netflix lançou uma mini série de 4 quatro capítulos, chamada “A Vida e a História de Madame C.J. Walker”.

Sei que muitos já sugeriram a série, onde a empreendedora é interpretada pela atriz ganhadora do Oscar, Octavia Spencer. Também sei que muitos já assistiram e que já tiraram suas conclusões.

E provavelmente foram baseadas no senso comum, na narrativa que estamos acostumados a ouvir sobre casos de sucesso nos negócios.

Se você for uma pessoa de cor branca, como a minha, irá tirar conclusões óbvias.

Portanto, não é de se espantar que os motivos apresentados na indicação da série estejam baseados na ideia da brilhante empresária. No sucesso que ela alcançou. E toda a narrativa que a gente já conhece de trás pra frente.

Mais ainda, a maioria dos motivos são baseados na mulher preta e guerreira. Um clichê básico. Toda história de sucesso de alguém da pele preta precisa ter como storytelling o sofrimento e a luta.

Nem os militantes do movimento aguentam mais essa narrativa.

Da maneira como ela se tornou a primeira milionária selfmade dos EUA. De como ela conseguiu vencer em meio a uma série de obstáculos. Portanto, nada de novo no front e a série parece estar recheadas de um monte de clichês que a gente encontra em histórias de pessoas pretas que “venceram na vida”.

Vídeo do Youtube com os melhores momentos da Rainha Octavia Spencer

Caso você ainda não tenha assistido, te convido a assistir e a colocar mais algumas camadas para a discussão e fazer um paralelo com a realidade atual.

1 – A rivalização entre duas mulheres

O mundo está evoluindo a passos largos. Estamos vendo as mulheres lutando por equidade de gênero. Mais ainda, elas estão se preocupando umas com as outras e uma palavrinha chamada sororidade, definitivamente entrou no vocabulário delas.

E aí faço três perguntas que vale 1 Milhão. Cada uma.

Qual a necessidade de rivalizar a luta entre duas mulheres, quando no mundo atual, a bandeira da sororidade entre as mulheres cresce cada vez mais?

A série realmente precisa colocar duas mulheres lutando, como se fossem inimigas?

Reforçar esses estereótipos de que as mulheres competem entre si, interessa a quem?

A nós, homens, é claro. Reforçar a ideia que as mulheres não se entendem entre elas mesmo, só reforça o machismo. De que os homens conseguem fazer as coisas melhores que as mulheres.

Portanto, elas não estão aptas a ocupar cargos de liderança. Mulheres brigam e competem entre sim. E isso prejudica as organizações.

2 – Empreendedorismo da mulher preta

Gosto muito da ideia de Angela Davis quando ela afirma que “Quando uma mulher negra se movimento toda sociedade se movimenta”. Embora a série, seja ambientada no começo dos anos 1900, esse pensamento já estava lá. E Madame já entendia isso muito bem.

Madame C.J. tem o propósito de ajudar as mulheres da comunidade a serem independentes. O olhar aguçado da empresária é algo digno de nota. Ela, realmente, se interessa pelo crescimento das mulheres de sua comunidade.

Primeiro ela questiona o lugar da mulher negra no mundo. Segundo ela quebra a lógica da mulher que deve ficar no lar e submissa ao marido. Fico pensando quantos olhares tortos ela recebeu na época. Nesta imagem, para mim é um dos pontos altos da série.

madan cj walker

O combo – mulher de cor preta – independente – empresária de sucesso parece ainda não ser muito aceito socialmente nos dias de hoje.

Pode perguntar para qualquer mulher preta o quanto ela precisa trabalhar a mais que homens e mulheres de pele branca para conseguir provar que ela também pode. Que elas merecem estar no lugar que elas estão.

Isso fica muito claro na série e parece que evoluímos pouco nesse quesito. O racismo está aí. Firme e forte. Com a chancela institucional do Executivo.

3 – Questione os padrões de beleza

eles parecem não ter mudado

Os padrões de beleza nos perseguem desde sempre. Capas de revistas ditam como os nossos corpos devem ser. Que roupa devemos usar. Como devemos nos portar.

Na série, fica muito claro que a luta de Madan era por não enquadrar a sua marca a um determinado padrão de beleza. Embora fosse tentada o tempo inteiro pelo publicitário da empresa.

Inclusive naquela época, a série deixa a entender qual era o cor da pele preta era aceita socialmente. Principalmente para as mulheres.

madan cj walker na feira

A jornada da heroína passa pelo questionamento se sua cor de pele era adequada, se seu corpo era adequado e até mesmo seu cabelo. Muitas vezes ela se perguntou se era bonita, se tinha a aparência correta. Portanto, ao se aceitar, ela traz para junto dela diversas outras mulheres que eram marginalizadas, inclusive dentro da própria comunidade.

Ah, eu descobri que tem um livro sobre Madame C.J. Walker na Amazon.

Após assistir toda a série, eu procurei no Youtube alguns vídeos com análises feitas por Youtubers de pele preta. A grande maioria deles detonaram a série. Uma das análises que mais gostei, foi no Canal de Gabi Oliveira. Vale à pena dar uma passada lá. Depois de assistir toda série, é claro.

E você, já assistiu? Gostou? Qual foi sua percepção? Quando assistir, volta aqui e comenta? Vou curtir falar sobre a Madame com você.


erivaldocarneiro

Oi, eu sou Erivaldo Carneiro. Se quiser, me chamar de Eri, tá tudo certo. Sou um aspirante a escritor e em breve você poderá me ler em qualquer banca de rua entre carregadores de celular, revistas vencidas e cigarros baratos. Gosto de falar sobre tudo, mas a minha paixão é pela Metodologia Científica. Ela já salvou minha vida. Pode salvar a sua. Também.

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