O alimento da saudade de casa

Publicado por erivaldocarneiro em

Eu sai de casa lá pelos idos anos 2003. Nessa brincadeira já se vão 17 anos de estrada. 8 anos em Feira de Santana. 7 anos em São Paulo com uma passagem de 4 meses pelo Reino Unido.

Atualmente, estou em Brasília. No último dia 25 de março fiz 1 ano que cheguei aqui.

Confesso que cada uma dessas cidades teve sua importância. Em nenhuma delas eu tive medo do desconhecido. Sempre fui destemido. Encarei e encaro as mudanças de minha vida como oportunidades de evolução. Estamos aqui pra isso.

Mas esses dias ando acordando com vontade de nunca ter saído da casa de Mainha e Tia Diva. Não tem um dia que eu acorde e não lembre das pessoas que eu amo.

Tenho sentido saudades jamais sentidas. Até os biscoitinhos de nata que é a capa da desse texto eu ando sentindo.

Todo mundo que está longe de casa (considero casa o lugar onde nasceu, foi criado, possui raízes) desde que a pandemia começou, se afirmou alguma vez:

EU NÃO DEVERIA TER SAÍDO NUNCA DA CASA DE MINHA E TIA DIVA!

Já devo ter me afirmado isso não sei quantas vezes. Não que esteja desconfortável com a minha vida longe de casa. Muito pelo contrário.

O pensamento de eu não deveria ter saído de casa nunca é um lapso de cuidado. Na minha cabeça, a maior preocupação é com as pessoas mais importantes da minha vida.

Sim… Você acertou.

É Mainha e Tia Diva.

Mais uma vez você acertou. Eu tenho duas Mães! Duas! Quando criança, Mainha cuidada de mim em casa e Tia Diva me levava para ver o Mundo. Muito do que sou, é por conta dessas duas mulheres FODA para caramba!

Ter sido criado por mulheres tão cheias de amor é algo que agradeço todos os dias. E hoje, Dias das Mães, é o dia de enaltecer essas duas MULHERES!

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Mainha é a da direita e Tia Diva é da esquerda.

As duas, cada uma do seu jeito, me ensinou a ser honesto, respeitoso, trabalhador e principalmente a ter senso comunidade. Lá em casa, tudo era compartilhado igual. Inclusive as responsabilidades. A gente reclamava, mas hoje eu vejo o quanto ter sido criado sob aquele regime fez toda diferença.

PRA VOCÊ TER IDEIA, EU ACHO TÃO RETRÔ ESSE PAPO DE EQUIDADE.

Não que ele não seja importante e necessário. Sim é importante! É que lá em casa, crescemos sabendo que todos eram iguais em direitos e deveres.

Logo, quando cheguei pro mundo real, eu achei tão estranho aquilo tudo. Passou o susto e eu entendi que aqui fora eu precisava lutar por algo tão lindo, aprendido em casa.

Mas voltando ao papo de nunca ter saído de casa…

O lance de nunca ter saído de casa tem mais a ver comigo do que com elas. As duas, Mainha e Tia, são do grupo de risco. As duas tem “problemas da idade”, como elas mesmas dizem. Mas a minha preocupação é eu não estar lá, sabendo de uma eminência de perigo.

Eu fico daqui pensando se elas estão usando máscara, se estão ficando em casa. Se estão seguindo as minhas instruções. Se estão…

Tem mais!

E se elas ficarem doentes, quem vai cuidar?

E se elas morrerem e eu não ter me despedido delas?

Se… E se.

São tantos “Ses” e “E ses”, que até me perco às vezes… Nada real. Tudo coisa de minha cabeça. Tenho tentado controlar essa ansiedade.

Eu até pensei visitá-las agora em minhas férias.

Este era o plano!

Mas eu estaria dando um péssimo exemplo a elas.

E elas me educaram pelo exemplo!

Você pode até me dizer que eu deveria ligar todo dia. Sinto dizer que não! Não sou daquele liga a todo momento. Assim, como Elas me jogaram no mundo para eu seguir meu destino, não acho justo ter que ficar fiscalizando as bonitas a toda hora.

É um saco! Você e eu sabemos!

Mais do que isso, elas duas são Mães adultas. E como diria o Maior Ícone que já tive na minha vida, Minha Avó Materna:

Do dia ninguém passa!

E não passa mesmo. É meio mórbido, mas real.

Já fazia uns dois Dia das Mães que eu não ia pra casa. Tava com vários planos pro deste ano. Férias, Bahia, casa de Mainha… O resto você já sabe, nem preciso detalhar.

O almoço do Dia de Hoje, não deu certo pra mim e pra você que estaria com sua mainha, mãe, mamãe, mamacita, madrecita, madre, mamusca ou como você chame a sua.

Este almoço que eu ia preparar hoje, vai ficar pra outro dia.

E TODOS OS DIAS É DIA DAS MÃES!

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A para não me alongar muito, eu amo esse trecho de Tudo de Novo que Maria Bethânia interpreta:

Minha mãe me deu ao mundo / De maneira singular / Me dizendo a sentença / Pra eu sempre pedir licença / Mas nunca deixar de entrar

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Por isso, Mainha e Tia Diva, daqui de longe, sintam meu amor e agradecimento por tudo que vocês fizeram por mim.

Tenho orgulho de ter sido criado por vocês duas! Todos os dias eu procuro honrar os ensinamentos que me deram!

Ah, nada de sair de casa. Se sair, usa máscara. Passa álcool gel nas mãos!

Estou com saudades!

Um beijo no coração das duas,

Com amor, seu menino maluquinho cabeça.


erivaldocarneiro

Oi, eu sou Erivaldo Carneiro. Se quiser, me chamar de Eri, tá tudo certo. Sou um aspirante a escritor e em breve você poderá me ler em qualquer banca de rua entre carregadores de celular, revistas vencidas e cigarros baratos. Gosto de falar sobre tudo, mas a minha paixão é pela Metodologia Científica. Ela já salvou minha vida. Pode salvar a sua. Também.

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