E se não fosse a pandemia, as coisas seriam diferentes?

Publicado por erivaldocarneiro em

"Conhece-te a ti mesmo, torna-te consciente de tua ignorância e serás sábio"
                              Sócrates
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Mas será que no meio de uma pandemia, isso é possível?

Respondo: Após quase três meses de quarentena, eu comecei a sentir os efeitos do isolamento social. Uma apatia tomou conta de mim e eu simplesmente…

…não tinha vontade de escrever.

Durante esse tempo, era como se apenas as coisas ordinárias fossem suficientes. Banho, comida, trabalho que paga as contas, dormir e o looping se repetia. A princípio, pareceu o corpo reclamando do volume de coisas que vinha fazendo.

Após quase um mês assim, comecei a perceber que algo estava errado comigo. De uma vontade de não escrever, passei a demorar para levantar da cama. Me sentia preguiçoso e indisposto.

Nessa hora, o sinal ligou!

E aí, quando a gente se conhece, tentamos entender o que está se passando. Em uma rápida retrospectiva, uma parte do problemas estava resolvido. Era físico!

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Lembrei que já tinha experimentado a sensação antes, causada pela falta de Vitamina D. (Contei aqui!)

Aviso do coração: Não se automedique. Consulte um(a) profissional da saúde.

Tenho seguido o isolamento social religiosamente e pela falta do sol, a dita cuja não estava sendo sintetizando pelo meu corpo

Ao ligar pra um amigo médico, que me conhece de longas datas, de cara ele diagnosticou a falta da vitamina. Me passou uma suplementação e após uma semana, senti os efeitos no corpo! Voltei a acordar no mesmo horário e com disposição.

Porém, é aqui que chega a outra parte da questão…

Mesmo com o gás de volta, me percebi “diferente”. A volta do nível de energia, coincidiu com a reabertura do comércio, o aumento do número de infecções e das mortes. E com a flexibilização das regras, pessoas que poderiam ficar em casa, foram pras ruas.

Assistir tudo isso, desencadeou uma série de sentimentos.

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Fonte: @militantecansado no Instagram

Desde que a pandemia começou, as pessoas no nível individual e coletivo tem se mostrado como elas de são.

De um lado, os ricos e endinheirados inauguraram uma nova fase na filantropia no Brasil. Nunca se deu tanto dinheiro para as causas sociais. (Peso na consciência?)https://www.linkedin.com/embeds/publishingEmbed.html?articleId=7103668207732597220

As pessoas comuns doaram como nunca nos mais diversos shows de artistas no formato “live”. Mas todos esqueceram de uma coisa:

Dar dinheiro, por si só, não é suficiente quando estamos diante da maior crise sanitária, que exige isolamento social.

Essa é única forma (possível) no momento, para evitar a propagação dos vírus.

Ficamos comovidos com a Itália mas o nosso complexo de vira-latas é tão grande, que não conseguimos ver um palmo embaixo do nosso nariz. Ficou claro que o modo solidariedade não chegou de verdade quando a classe média brasileira resolveu que poderia sair às ruas.

      no momento que escrevo, já temos mais de 90.000 mortes no país

E não satisfeita, ainda filmou! E tripudiou de quem ficou em casa.

Somos EGOÍSTAS?

A nossa geração nunca esteve tão exposta como agora. As redes sociais amplificaram tudo. Via lives, stories e outras formas de interações on-line, temos conhecido muito mais das pessoas. Todos os dias, o pior e o melhor das pessoas vem sendo servido. Como num cardápio, ao toque dos nossos dedos.

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A questão é que no meio de uma pandemia, na qual nós todes deveríamos estar unides, como uma nação, muita gente resolveu chutar o balde. A única coisa que podia ser feita para nos salvarmos, era seguir as regras do isolamento social. Uma ação “comunitária”!

E o que foi feito? As regras não foram e não estão sendo seguidas!

O EGOÍSMO falou mais alto

E aí, pessoas com maior sentimento de comunidade, estão sofrendo muito mais que pessoas que possuem esse sentimento menos apurado. O meu caso e de muitas outras pessoas, que começaram a se sentir idiotas. Você deve ser uma dessas pessoas. Tenho certeza!

Tá todo mundo no mesmo oceano…

Diversos barcos ancorados no mar

MAS EM BARCOS DIFERENTES

Todes nós, em alguma proporção, estamos sofrendo algum tipo de impacto em nossas vidas. Cito alguns:

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  1. Algum conhecido ou morreu, ou perdeu o emprego;
  2. Uma pandemia sem controle por descaso das autoridades;
  3. Estamos acéfalos de lideranças;
  4. Não temos Ministro da Saúde, há dois meses! DOIS MESES!;
  5. A falta de perspectiva quanto ao futuro;
  6. A morte está banalizada entre até os mais fervorosos defensores do isolamento social
  7. Uma crise econômica sempre precedentes se anuncia.

Uma sociedade cansada e desamparada por um estado que não cumpre seu papel

A verdade é que estamos tão cansades de todo esse furação de emoções ao qual temos sido expostes.

Até os mais otimistas, já demonstram jogar a toalha. Não só pela pandemia em si. Mas também pela inabilidade do estado em gerir a maior crise sanitária dos últimos anos. O estado brasileiro tem se esforçado para manter a pandemia. O discurso negacionista é prática corriqueira.

A maior liderança do país não dá o exemplo. Não assume seu papel de chefe de estado. Apostou no caos.

Os impactos já estão sendo sentidos e só para lembrar, os mais impactados pela crise são pessoas de pele preta, que coincidentemente, moram na periferia, foram os que mais perderam empregos e os com mais dificuldades de receber os auxílios.

Exterminar a população preta parece ser uma política de estado.

É como se fôssemos soldados indo para a guerra e sabendo que ela já foi perdida. Porque de fato, ela já está perdida!

Estamos perdendo o poder de discernimento

A nossa instabilidade emocional é tão grande, que não conseguimos mais discernir as fronteiras da mente e corpo. O cansaço é generalizado!

Se antes já era difícil, agora ficou pior. Tudo está relacionado a como temos nos sentido por conta da pandemia. Precisei me sentir sem animação pra vida, pra procurar entender o que estava se passando comigo.

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Analisando hoje, fica muito claro que o problema desde o começo de junho, era a falta da tal vitamina. Mas algo me chamou atenção e me deixava intrigado. Individualmente, não tinha nenhuma questão psicológica, ou preocupação relacionada comigo. Eu deveria ter identificado a questão física logo de cara.

Mais ainda… De verdade, não teria motivo para que eu estivesse naquele lugar. Tenho um excelente emprego, minha vida toda em ordem, minha família super bem. Os meus textos por aqui, cada dia estavam sendo mais sendo lidos. A NullCarbon. foi selecionada para um concurso de ideias que impactam o clima. Estou trabalhando nos artigos de minha tese para publicações em revistas importantes.

Ao analisar o entorno, a única conclusão foi de que o coletivo influenciou demais os meus sentimentos.

Aposto que você também está com a mesma sensação.

A coletividade impacto quem somos

Ao me perguntar o motivo desse sentimento de apatia quando tudo está indo tão bem comigo eu pude concluir:

Não adianta estarmos bem, no nível individual, e a coletividade estar sofrendo. Por uma única razão. Tudo está conectado. Nós brasileires, enquanto coletividade, estamos doentes. Além de um vírus que está sem controle, nosso inconsciente coletivo também está doente.

Tem sido dias difíceis! Cada pessoa, ao seu modo, tem tentado sobreviver. Uns lutam para ficar em casa e outros, que não aguentam mais ficar em casa, vão pra rua. Outros para se recolocar no mercado. Outros para se manter no trabalho. Outros aumentando sua fortuna durante a pandemia. Outros para comer.

Nem vou falar das pessoas se recusando a usar máscaras ou usando como se fosse um protetor de boca…

Em outras palavras, cada um tá fazendo seu corre da maneira que é possível.

Uma possível conclusão…

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Na perspectiva das relações humanas, temos a prova que não somos ilhas. Essa pandemia está provando que precisamos do contato com o outro para que nossa humanidade se concretize.

No contexto da pandemia, todas as nossas emoções estão mais afloradas que nunca.

Porém, mais do que o contato, precisamos lembrar que somos uma coletividade e precisamos cuidar um do outro.

Neste momento, cuidar do outro é usar máscara corretamente, é sair o mínimo possível de casa.

É olhar com empatia para a colega mulher que desde o começo da pandemia está fazendo jornada tripla.

Precisamos (VOCÊ e EU) continuar com o brilho nos olhos, mesmo quando o mundo parece desabar diante de nós. Ter a consciência tranquila de feito a nossa parte. Tenho me apegado a isso!

Quase dois meses depois de passar por esse vale de produção da escrita, percebo que cuidar de nós mesmos é um auto-cuidado. Quando cuidamos da coletividade, estamos fazendo uma revolução.

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Vamos juntes fazer essa revolução?

Processando…
Sucesso! Você está na lista.

erivaldocarneiro

Oi, eu sou Erivaldo Carneiro. Se quiser, me chamar de Eri, tá tudo certo. Sou um aspirante a escritor e em breve você poderá me ler em qualquer banca de rua entre carregadores de celular, revistas vencidas e cigarros baratos. Gosto de falar sobre tudo, mas a minha paixão é pela Metodologia Científica. Ela já salvou minha vida. Pode salvar a sua. Também.

2 comentários

Luciana Ochoa · 08/04/2020 às 17:04

Excelente sua reflexão sobre a pandemia Erivaldo! As pessoas simplesmente perderam a noção de tudo neste país…egoístas, xenófobas, a pandemia fez aflorar o que as pessoas tem de pior mas também, para aqueles de boa índole, o que tem de melhor. Parabéns!

    erivaldocarneiro · 08/04/2020 às 19:44

    Luciana, muito, muito obrigado pelo comentário. Você não imagina o quanto eu admiro você. Um abraço!

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