Como pessoas acadêmicas (ou não) podem construir uma marca pessoal forte na era dos dados

Em 1996 uma modinha tomou conta de todo o mundo. O Tamagochi, um brinquedo no qual o dono precisava cuidar do seu bichinho virtual era visto pendurado em mochilas e em chaveiros.

Foi uma febre e, como toda febre, quando a temperatura baixou, ela foi embora.

As crianças e adolescentes dos anos 90, hoje adultos na casa dos 30 ou mais um pouco, lembram saudosas daquele tempo, no qual elas precisavam alimentar, dar carinho, banhar e cuidar do bichinho como se fosse um filho.

O problema era que, em algum momento, mesmo recebendo todos os cuidados necessários, ele morria. Essa parte era péssima e frustrava os “jovens pais e mães”.

Porém, muitas vezes, por falta de cuidado do dono, o bichinho também podia morrer e, junto o deslize no cuidado com o Tamagochi, uma péssima fama na escola. Ninguém queria ser acusado de ter matado o bichinho de fome, principalmente por descuido.

Naquele momento, ainda sem entender sobre muitas coisas, aqueles serem brincantes começaram a aprender sobre cuidados com o “nome” e sobre a imagem sua passada ao mundo. O Tamagochi era a nossa marca pessoal.

Quase 25 anos depois…

O ano é 2020, estamos no meio de uma pandemia infinita e na Internet, além de uma produção de memes para salvar os dias difíceis, de acordo com o estudo Data Never Sleeps (Dados Nunca Dormem), acontece a cada minuto:

  • 347 mil stories no Instagram são compartilhados;
  • 147 mil fotos nos Facebook são postadas;
  • 41 milhões de mensagens Zap são enviadas;
  • Os consumidores gastam 1 milhão de dólares online; e
  • Os membros do LinkedIn (nossa rede queridinha) se candidatam a 69.444 empregos;

Incrível, né?

E você aí achando que, no meio de tudo isso, não precisa cuidar do seu Tamagochi. Ops! De sua marca pessoal.

Nunca antes ficamos tanto tempo à frente de uma tela e compartilhamos tantas informações on-line. E mais do que nunca, além de cuidarmos de nossa marca pessoal off-line, construir uma no mundo on-line, diante do novo mundo que se anuncia, é um imperativo.

Também devemos considerar que cada vez mais o mundo on-line e o offline estão mais conectados (parece até redundância). Assim como nos preocupamos com a imagem que queremos transmitir lá fora, aqui no mundo on-line, também.

Mas o que é marca pessoal, onde vive, do que se alimenta?

Várias pessoas tem se encarregado de discutir, estudar e conceituar o tema (caso tenha ficado com curiosidade de saber quais autores usei de base, chama no inbox, baby!). E, embora cada uma delas tenha seu ponto de vista do que é uma marca pessoal, a unanimidade diz respeito a um aspecto:

a forma como as pessoas percebem a outra pessoa constrói uma marca pessoal.

Ou sejam a forma como nos apresentamos ao mundo vai construir na cabeça das outras pessoa “quem somos”. A boa notícia é que você pode começar, AGORA, a construir sua marca pessoal. Vamos lá?

Como construir uma marca pessoal

Tenha autenticidade

Seja você mesmo, todos os outros já estão tomados. – Oscar Wilde

Tempos atrás, andei escrevendo sobre como ser uma pessoa autêntica, mas o foco que quero dar neste artigo vai por outro caminho. Enquanto lá, foi colocada a lente da padronização, aqui falamos de diferenciação.

O que te torna uma pessoa diferente das outras pessoas?

Se a resposta for seus belos olhos azuis, desculpa, eles não refletem sua autenticidade. Ela é refletida em seus sonhos, visão, missão, propósito de vida, valores, identidade e autoconsciência.

O grande lance é que isso não cai do céu, feito um presente. Exige trabalho e autoconhecimento.

Então, se você ainda acha que tudo isso é papo de coach, SUPERA, e comece agora, amore!

Falo isso por um motivo:

uma marca pessoal autêntica começa quando temos autoconhecimento, demanda tempo e trabalho

Portanto, saber o que transmitir ao mundo precisa estar claro e para isto, considere tentar entender o ser humano que é você.

Até convencer Mainha a me dar o Tamagochi, foi uma luta. Ela sabia quem era o filho dela. Segundo Dona Eutália, eu mal cuidava de mim, como iria cuidar de um bichinho virtual?

Ela tava certa!

Demonstre seus valores e no que você acredita

A força de uma marca é construída em cima de sua determinação em promover seus próprios valores distintos e sua missão. – Prof. Jean-Noel Kapferer

Todas as pessoas, independentemente da cor, origem, gênero ou qualquer outro marcador, possuem valores e crenças próprias.

Os valores orientam as nossas atitudes, comportamentos e influencia como queremos ser reconhecidos pelos outros. Já as crenças refletem o que acreditamos e como percebemos a realidade nos cerca.

Lembra de deixar morrer o Tamagochi de fome?

Então, isso poderia representar, na cabeça das outras pessoas, que você não sabia cuidar do bichinho.

No caso da Mainha, ela tinha certeza!

Ao definir os valores que nos orientam, criamos uma espécie de bússola interna que nos conduz. Chegamos ao destino quando as pessoas nos enxergam com aqueles valores.

Comunique ao mundo sobre você

Calma, você não vai sair por aí dizendo ao mundo que você é “a pessoa” certa pro momento certo. A comunicação de sua marca pessoal precisa ser pensada de forma muito cuidadosa.

No mundo do compartilhamento de dados, comunicar sobre quem somos, de maneira planejada, pode significar bons negócios ou o emprego dos sonhos.

Lembra daquela história da “primeira impressão é a que fica”? Isso também se aplica ao mundo de cá. Portanto, tenha cuidado ao se comunicar, também, no mundo online.

Seja consistente e frequente

Um dos maiores desafios encontrados na construção de uma marca pessoal é ter consistência e frequência ao alimentar as redes. Ou seja:

não adianta postar hoje e só voltar com 15 dias para ver o que aconteceu com seu post.

Na medida em que você começar a publicar com frequência (a que é possível), as pessoas começam a chegar pro seu perfil.

Então, capricha na escrita ou na mídia de sua preferência e corre pro abraço.

Devagar e sempre é a melhor forma para construção de uma marca pessoal forte.

Aqui, estou falando de qualidade, ao invés de quantidade; de constância ao invés de velocidade. Portanto, ao considerar criar sua marca pessoal e deixar seu rastro na internet, não vá com sede ao pote.

Algumas dicas para construir sua marca pessoal

  • Escreva numa linguagem acessível;
  • Veja as redes sociais como aliadas e use-as a seu favor;
  • Seja sincero com sua audiência;
  • Seja a mesma pessoa on e offline;
  • Não minta sobre o seu currículo – nada fica ileso ao tribunal da internet;
  • Crie vínculos ao relacionar com as pessoas;
  • Não se auto promova em excesso;
  • Não seja rude com as pessoas;
  • Dê os créditos se não foi você quem escreveu/criou o que postou; e

A internet é o grande recreio da vida e você não quer ser conhecido(a) como alguém que deixo o Tamagochi morrer de fome, quer?

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Eu sou Eri Carneiro e tenho muitos interesses. Na Escola de PhDs, a primeira escola de superpoderes para Profissionais com habilidades Desenvolvidas do Brasil. Nela, eu mentoro e ajudo pessoas em transição de carreira, sejam elas da academia ou não. Minha maior paixão é a sala de aula e curto demais compartilhar tudo que aprendo, por esta razão, antes de qualquer coisa, me considero Professor. Me considero um escritor e um criador de conteúdo para internet. Também me aventuro pelo mundo dos Podcasts e apresento Travessia de Carreira e o Pode Meme. Como acadêmico, tenho os títulos de Mestre e Doutor em Administração. Como cientista, pesquiso nas áreas de Sustentabilidade, ESG, Gestão da Diversidade, Riscos e Métodos.