9 lições profissionais que aprendi trabalhando em 15 anos no mercado financeiro

Publicado por erivaldocarneiro em

Sim, é isso mesmo. Eu tenho esta carinha de bebê, mas no último dia 24 de outubro, completei 15 anos de casa, no maior e mais importante banco deste país, o Banco do Brasil.

Lembro como se fosse hoje o dia do chamado para assumir a vaga de escriturário em Santo Estevão, uma cidade a 40 km de Feira de Santana.

Naquela época estava fazendo o terceiro ano de Biologia no melhor curso da Universidade Estadual de Feira de Santana e também do Norte e Nordeste. Pra você ter uma ideia a concorrência, na época da aprovação era de 25 candidatos por vaga.

Estava no meio de uma reunião no grupo de extensão do qual era bolsista, quando meu celular tocou. Com um sonoro “PARABÉNS, ERIVALDO, VOCÊ FOI CONVOCADO“, recebi a notícia que já nem esperava mais receber e na minha cabeça estava fora de cogitação.

Você sabe, não é?

Decidir o que fazer da vida para sempre aos 19 – 20 parece ser uma loucura.

E é, viu?

Os anos anteriores tinham sido de muitos questionamentos.

Me sentia frustrado por não estar fazendo medicina. Teve uma época que rezei pra ser chamado para o banco, depois não quis mais.

No meio deste caminho, comecei a dar aulas de Biologia em duas escolas. Entrar na sala de aula, foi a sentença que precisava para me firmar na Bio.

E foi isso mesmo!

Meu amor pela sela de aula era tanto, que considerei não aceitar o chamado e seguir minha vida, que já estava toda traçada. Terminava a graduação, emendava no mestrado, depois doutorado, depois concurso e virava professor numa universidade pública.

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Mas alguma coisa dizia para topar aquele desafio, mesmo sendo um professor. Também considerei ser impossível carregar o arrependimento de não ter tentando fazer alguma coisa.

No fundo sabia que esta oportunidade seria de muito aprendizado para mim. Não sabia em qual nível seria, mas seria.

Então, lá fui pedir demissão das escolas, me despedir de meus amados alunos e experimentar o que seria de mim dentro de uma agência. Também tranquei Biologia.

Me dei três meses, o tempo do estágio probatório para ver ser iria gostar ou não.

Foi um ato de coragem largar a sala de aula e virar uma coisa que não tinha nada a ver comigo.

Mas eu fui...

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O resto da história, imagino que você já saiba. Agora vamos às lições?

Lição 1 – Mantenha sua empregabilidade

Esta foi a primeira lição que aprendi e ainda no treinamento, Chico, o instrutor da minha turma de posse, disse para gente:

Olha só, todes vocês estão tomando posse no BB hoje e se eu puder dar um conselho é que mantenham a empregabilidade. Se vocês estiverem prontes pro mercado, vocês estarão prontes para o Bancão.

Aquela frase caiu como uma bomba e foi tão significativa, que não esqueci dela e estou aqui, hoje após 15 anos te lembrando e te contando.

Você consegue me identificar? Tinha esta carinha quando comecei minha carreira.

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E nesta?

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Foto: Arquivo pessoal / Ano: 2005

Na visão de Chico (o careca e de camisa branca no meio da primeira foto), além de mantermos as nossas habilidades para desempenhar o serviço de bancário, precisávamos manter a nossa capacidade de conseguir um emprego no mercado.

Aquele discurso foi de uma realidade absurda.

O próprio Chico assumia que ela só sabia trabalhar no BB e estava aprendendo aos poucos a ser mais independente. Mas também reconhecia que em breve ele estaria aposentado e não dar aquele conselho seria leviano.

Desde então, todo meu esforço foi para estar pronto para o mercado e não exclusivamente para o BB. Pra ser honesto, nunca nem percebi que trabalhava numa empresa pública, de tão louco que o bagulho é.

Na prática, sempre me considerei um professor e até hoje me considero assim e meu desejo de aprender, sempre me acompanhou.

E além de se manter empregável, quer aprender? Compartilhe o que você sabe.

Lição 2 – Valorize os mentores ao longo do caminho

Quando a gente começa a vida corporativa em um empresa grande, com uma cultura organizacional forte e estabelecida, se sentir perdido é a regra.

Ainda lembro de conversar com outros colegas iniciantes sobre o quanto era difícil estarmos ali. Mas um consenso, todo mundo tinha:

Deveríamos valorizar as pessoas com mais experiência que se dispunham a nos ajudar.

Na época, o termo mentoria ainda nem existia e o que a gente tinha era uma pessoa mais experiente, que nos ensinava os comandos do sistema para fazer cada uma das operações para atender ao público.

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Entre ensinamentos e burrinhas, aprendi a valorizar quem tinha algo a me ensinar.

Trabalhar ao lado de pessoas que podem te ensinar algo bom é um privilégio de poucos.

Aprender com os bons exemplos é tão raro, a regra é a experiência contrária. Aprender como não fazer.

Fui e sou sortudo. A grande maioria das pessoas que passaram e estão tem uma característica em comum: deixar boas marcas na minha jornada. Claro que também me esforço.

Conto nos dedos de uma mão as pessoas que passaram por minha carreira neste 15 anos de mercado financeiro e deixaram alguma marca negativa.

Lição 3 – O dinheiro do banco não é seu: seja honesto

Uma das coisas que mais admiro no BB é o fato de quase todo mundo começar a jornada dentro de agências. Não foi diferente comigo.

Trabalhar em agência é pedagógico.

É nela onde vendemos o nosso produto, o dinheiro, que te dão perigoso, não fica exposto. Fica num cofre.

Se eu pudesse elencar uma valor que deve ser inquestionável para qualquer profissional, é honestidade.

Ao trabalhar com dinheiro, se você não encara ele como o papel ofício da impressora, a tentação vai bater na sua porta. E aí, num lapso, você caiu na tentação e quando vai ver, não pode mais voltar.Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Vi colegas com futuros brilhantes caírem na tentação e pouco tempo depois descobertos, estarem no olho da rua.

Vi a vergonha estampada na cara deles.

Também vi colegas honestos caírem de para-quedas em histórias de gente desonesta, mas ficar o mesmo estigma.

Portanto, não vacile, jamais com o alheio!

Lição 4 – Seja ético com seus clientes

Outro aprendizado que trabalhar em agências me deu foi aprender a vender. Metas e mais metas para serem cumpridas. E claro, a tentação de cumprir a todo custo, sempre aparece.

E por mais que pareçam coisas distantes, vendas e ética estão uma ao lado da outra.

Vendendo crédito, aplicações, seguros e todos aqueles produtinhos que você ama (hahahahahahahahaha), aprendi que o cliente sempre precisa estar satisfeito, primeiro com seu atendimento e depois ele estará a empresa que você trabalha.

Ser vendedor, principalmente no mercado bancário, é um desafio enorme.

  • De um lado, temos uma prateleira cheia de produtos ao mesmo tempo, as metas;
  • Do outro, temos os clientes, ariscos, super desconfiados.

No meio de tudo isto, tem quem intermedeia esta relação.

Uma venda mal feita, pode custar a sua reputação e por tabela, da empresa onde você trabalha.

Nesta jornada de vender e cumprir metas no varejo aprendi a celebrar pequenas vitórias e a vender todos os dias alguma coisa. Mas também aprendi que bater metas tem mais a ver com ética e estratégia do que com esforço.

Também aprendi sobre relacionamento de confiança e que:Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Em momentos de crise, como este de agora cuidar do relacionamentos me parece ser ainda relevante. Até andei pensando dia desses sobre isso no texto Relações de confiança em tempos de crise – O que é, onde sobrevivem, o que comem?

Lição 5 – Você nunca vai estar pronto para o próximo desafio

Este outro aprendizado foi internalizado logo no segundo ano de casa.

Lembro como se fosse hoje, eu era o caçula da agência e tinha muita vontade de trabalhar com empresas.

Eis que um belo dia, surgem três vagas para assistente de negócios (a primeira promoção) e uma das vagas era pra trabalhar com quais clientes? Empresas.

Não pensei duas vezes. Me candidatei para de vaga de pessoa jurídica sem saber fazer um ó com um copo, mas prometendo ao gerente em pouco tempo, dominar as paradas de sucesso do assunto.

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O gerente acreditou em mim e entre os três escriturários da agência, somente eu tive a promoção e o desafio. E que desafio.

Talvez, se tivesse ouvido as minhas vozes internas da necessidade de estar 100% pronto para ocupar aquela função, ou até mesmo os outros colegas, que duvidaram de minha capacidade, não teria enfrentado o desafio.

Ainda lembro do primeiro cartão CNPJ em minha mão para atualizar um cadastro. Não sabia o que fazer com ele.

O resultado é que por ter enfrentado este desafio, acabei me preparando para o próximo nível: me tornar gerente de relacionamento de pessoa jurídica.

Ao lembrar desta lição, é impossível não lembrar que Precisamos conversar sobre esse negócio de acreditar em nós mesmos.

Lição 6 – Seja egoísta com sua carreira e tenha objetivos claros

Esta outra lição é o combo do sucesso e da discórdia e sempre faço questão de repetir. Seja egoísta com sua carreira, por um motivo:

Ninguém vai pensar em sua carreira, além de você, amadinha!

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Ninguém vai pensar em sua carreira, além de você, amadinho!

Aprendi sobre o tema, tendo um conflito com o gestor da época, que por sinal, era incrível.

Poucos meses depois de minha primeira promoção, surgiu a oportunidade de virar gerente, mas de pessoa física.

Quem foi a primeira pessoa que o gestor quis colocar na fita? Sim, é quem você está pensando. Tio Eri.

Só que o trabalho com empresas me realizava, me desafiava e cada dia aprendia mais. Em pouco tempo estaria dominando a pessoa jurídica e estaria habilitado para ser gerente da carteira empresas.

O meu objetivo estava definido. Ser gestor de uma carteira de empresas.

Quando a proposta veio pra mim e junto com ela um não voltou aos ouvidos do gerente, a agência tremeu. Foi o bafafá, foi dedo cool e gritaria total.

“Como assim? Quem Erivaldo pensa ser pra rejeitar, assim, uma promoção para gerente. É a chance da vida dele.”

Fui duramente criticado por não ter aceito a proposta. Naquele momento, pensei apenas em mim e ao visualizar a curva de aprendizado e o futuro, preferi dizer não.

Tempos depois, recebi a confidência que o motivo dele ter ficado bravo com a minha negativa era para não me perder. Até recebi um pedido de desculpas.

Foi uma escolha difícil, mas preferi acreditar no meu feeling. Poucos meses depois, surgiu a minha vaga e quem validou minha candidatura?

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Sim! A mesma pessoa que meses atrás havia me dito estar perdendo a chance de minha vida.

Este pensamento segue até a hoje. Gestores vão e voltam. São temporários. Já a construção de sua carreira, é responsabilidade sua e dever ser sua prioridade.

Portanto, seja egoísta. Se coloque em primeiro plano. Se você não decide, alguém vai decidir por você.

Lição 7 – Primeiro vista a sua camisa, depois da empresa. Você não é seu emprego

Esta lição deveria fazer parte do manual e conduta e do código de ética de todas as empresas. Mas não faz, né?

O que vou falar agora pode parecer duro, mas é verdade, no fundo todos nós sabemos que é verdade.

Todo e qualquer pessoa que vende sua força de trabalho, para a empresa, no fundo, bem lá no fundo, não passa de uma matrícula.

Uma pandemia está aí para provar este pensamento.

Entre o caixa e o empregado, quem rodou primeiro? Eu conto ou você responde?

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Vestir a minha camisa não significa que você vá ser um empregado ruim. Muito pelo contrário, vestir a sua camisa, em primeiro lugar, demonstra amor próprio e capacidade para enfrentar os desafios que vão aparecendo ao longo da jornada.

É justamente por me ver em primeiro plano, que me tornei o profissional de alta performance que sou.

Faço esta afirmação sem medo de parecer arrogante.

Enquanto estiver no front de agencia, atuando como gerente de relacionamento sempre atingi todos as metas e desafios. Agora que atuo na estratégica, meus pares e a liderança reconhecem a qualidade de minhas entregas. E só melhora, viu?

Chegar neste ponto demanda tempo e muito auto conhecimento. É como cada dia ir descobrindo uma nova rota para um tesouro escondido.

Lição 8 – Nunca para de estudar

O conceito “life long learning” ainda nem era modinha e já estava lá, levando ele comigo.

A educação formal lá na casa de Dona Eutália, minha mãe, sempre foi uma obrigação.

No começo não entendia bem. Hoje, a educação é um valor inegociável.

Digo isto e lembro de quantas vezes fui questionado por “estudar demais”.

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Também fui questionado se eu precisava, mesmo, voltar para a Universidade. A minha resposta sempre foi sim!

Um gerente, certa feita, me propôs a desistir da graduação para “me dedicar mais ao Banco”.

VSF, né amore?

Abandonei Biologia por causa do BB, me formei em Contábeis, fiz Mestrado e Doutorado.

Apenas poderia me conformar em trabalhar num banco público e não me preocupar com minha formação técnica. Mas não foi o acontecido. Me dediquei e continuo me dedicando. Nenhum conhecimento é em vão.

Portanto, nunca pare de estudar, por mais que você imagine sua estar arrumada e estável em um emprego.

Lição 9 – Tenha sempre um Plano B

Sabe a Lição 1?

Pois é, um dos primeiros ensinamentos aprendidos sobre aconselhar clientes é que eles nunca devem aplicar toda sua grana no mesmo tipo de investimento. Diversificar, ao máximo, é a ordem.

Em um bom Português, quero dizer que assim como aprendemos a não investir tudo no mesmo fundo de investimentos, com a nossa carreira é a mesma coisa.

seja um profissional incrível, mas não guarde todos os seus ovos na mesma cesta.

Estamos no meio de uma pandemia, na qual pessoas estão perdendo seus empregos e a maioria delas não tinha um plano B. Muitas pessoas não sabiam e continuam sem saber Como ter criatividade para escrever em tempo de crise.

É impossível não estar com um olho no padre e outro na missa.

Acompanhe o mercado, sinta a temperatura dele. Trace rotas alternativas. O mundo está passando por muitas transformações na velocidade da luz. O que fazemos hoje, pode não ser mais importante nos próximos dias.

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Uma possível conclusão…

Trabalhar no mercado financeiro nunca passou pela minha cabeça, nem mesmo em sonho, mas com o tempo, fui aprendendo como ser um profissional da área.

Imagino que você deve estar se perguntando se tenho planos para o futuro. Sim, tenho, vários e um dos Planos B da minha vida é própria NullCarbon, uma startup de mobilidade urbana, fundada por mim e mais 4 sócies.

Também me sinto muito confortável em aconselhar outros PhDs sobre produção de conteúdo para internet, soft skills e escrita criativa.

Costumo dizer que eu sou o ponto de encontro entre a Teoria da Academia e Prática do Mercado, quando a regra é o contrário. Cada qual no seu quadrado e vida que segue.

Tenho as duas experiências e isto é lindo!

Após 15 anos de trabalho no setor financeiro, um doutorado nas costas, uma experiência de sanduíche na Inglaterra e passando todos as experiências possíveis, me sinto apto a por a minha missão de COMPARTILHAR APRENDIZADOS em prática. Quero e vou ajudar muitas pessoas com todo meu aprendizado.

E para finalizar, se pudesse descrever meu sentimento em uma palavra seria de GRATIDÃO.

Aqui deixo meu muito obrigado a você por me ler, me acompanhar, me ensinar, me conduzir e me permitir concretizar a minha missão.

Vamos juntes?

Todas as fotos utilizadas no texto foram retiradas do perfil @faltarte lá no Instagram.

Processando…
Sucesso! Você está na lista.

erivaldocarneiro

Oi, eu sou Erivaldo Carneiro. Se quiser, me chamar de Eri, tá tudo certo. Sou um aspirante a escritor e em breve você poderá me ler em qualquer banca de rua entre carregadores de celular, revistas vencidas e cigarros baratos. Gosto de falar sobre tudo, mas a minha paixão é pela Metodologia Científica. Ela já salvou minha vida. Pode salvar a sua. Também.

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